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Tragédias

Tragédias.
Acontecem.
Todo o dia.

Imagem tirada da página Tio Jesus do Facebook, nesse link.
Claro que o que aconteceu com o time da Chapecoense choca a todos de um jeito maior. Eles eram o segundo time do Brasil. Eles estavam nos holofotes. Estavam no topo. Eles seriam campeões. Eles são campeões. E eles se foram.
Quando uma tragédia dessas acontece, faz todo mundo refletir, nem que seja pelo curto espaço de tempo que a tragédia repercute. Refletimos sobre a vida, sobre a morte, sobre quem amamos, sobre quem odiamos, sobre o amanhã, sobre o ontem... enfim. Refletimos. Nesse momento de comoção e empatia somos iguais e todas os nossos conflitos se reduzem a nada. Tragédias também nos lembram que somos nada, mas não queria refletir sobre o efeito que as tragédias causam em nós, e sim no que é tragédia.

Seria a morte uma tragédia? Alguém que morreu consegue visualizar isso ou ele só dormiu? Morrer é a maior tragédia para o vivo? O morto não vai voltar para me responder essas coisas, apesar de algumas religiões afirmarem que eles voltam. Eles estão em outro lugar, inacessível para nós, vivos.
Acho que temos que olhar a tragédia pela visão do vivo. Daquele que ficou. Daquele que vai ter que continuar a vida sem uma pessoa importante do lado. Nesse caso, a tragédia não é a morte. É a vida.
A vida do menino sem o pai é uma tragédia. A vida do pai sem o filho é uma tragédia. A vida do vivo que não pode mais dizer um eu te amo para uma pessoa é uma tragédia.

Quando eu soube do jogador que soube a pouco tempo que seria pai e do filho do Paulo Paixão a empatia foi bem maior. Eu sei o que é essa tragédia. Foi tirado o direito do filho ter seu pai. Foi tirado o direito do pai ver seu filho crescer. A tragédia não são as mortes, são as vidas. É isso que nos machuca, lembrar que agora temos que viver sem eles.

Lembremos também que todo o dia uma mãe tem que continuar vivendo sem o filho, um filho tem que continuar vivendo sem o pai. Todos os dias acontecem tragédias para os vivos. Todos os dias. Ainda mais em um país como o nosso em que uma vida vale um celular roubado ou um par de tênis de marca.

Eu não quero chegar a lugar nenhum com esse texto, quero apenas deixar aberta a reflexão. Ser humano é se importar com o outro. Se todos nós exercermos a empatia que tivemos com os familiares das vítimas daquele avião todos os dias e com todos, talvez tivéssemos menos tragédias para os vivos.

Quanto aos mortos, a imagem acima nos conforta. Eles não estão vivendo uma tragédia. Eles foram para um lugar melhor.



#ForçaChape

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